21 outubro 2012

Dolmen Music - música dos ancestrais (para MAP)

















Hoje o meu amigo passou-me as músicas
e enquanto isso
o amor dele dormia.
Não sei bem de qual gruta o som saía,
se de mim, dele
ou do seu amor no sofá deitado,
igual às vozes e aos animais.
Depois vimos uma entrevista
era a não palavra naquela música
e o amor dele dormia, dormia
numa hélice acordada
por cada sombra, enquanto eu via.
E eu via a forma, que sobre mim pousava,
daquele assombro
que foi a morte e o desapego de um verso só
naquele estado de ser alguém.

14 outubro 2012

Em setembro voltaremos


































Ele tinha quatro peles
que durante um olhar parado
falavam como o início da voz,
e num daqueles túneis agora modernos
eu sonhava com o desejo
daquela sua chegada.

Às primeiras folhas das árvores
ele furtava aquele nervo igual à sua boca,
e nos beijos crescia selvagem,
praticamente nu.

Eu vi como pode um homem
desparecer por meio das suas palavras,
menos pelo corpo,
e imaginei-lhe um retrato
numas dessas paisagens sem sombras.

08 agosto 2012

Duas pessoas e uma história






















A viagem dura
Um dia e meio,
Ele não se vê ao espelho.

No país em que eu fiquei
As sombras já não entram
E porém reflectem.

Ele não ama igual ao tempo
Ele é um destino depois
Da noite.

07 agosto 2012

Lost Bird






















Enquanto o frio sobe
Um gato entra pela porta
De um quintal.


O gás da água é verde
Desta cor sem ti
E de uma certa vertigem.

O teu pé direito
É mais pequeno do que eu,
E inteiro.

The little Swallow






















July 31 –
This small swallow

Flees the morning’s gray.

From the horizon comes
The young features of August

Getting out of an uneasy dream.

If that leaf were coldest
Will those swallows
Continue to swing with one’s another?

18 julho 2012

From one’s bird song















Estendo o braço ―
o que renasce em mim
é luz.

Eu não choro ―
as pequenas ervas estão molhadas
é o murmúrio.

Sigo a linha de parados olhos
anoitece e desarmo
é a água correndo.

20 junho 2012

A. King & Corelli (aos bailarinos de Alonzo King)


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a
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Passam um pelo outro
e através levantam-se,
como caranguejos respiram.
De um coração branco, meio nu,
unem-se três –
dão corda, rastejam,
deformam-se ao verem o mais belo bailarino dançar.
Mais luz do que pó
na obscuridade são sentinelas eternas.